O liXO DA CIVILIZAÇÃO!!

…foi varrido pra baixo do tapete. A presença de ácido sulfúrico, creolina e demais compostos organo-clorados na atmosfera desagradável do Rio Tietê, envolvia a COHAB Cingapura, aqui na Zona Oeste de São Paulo, onde estou hospedado no apê de uma parceria…além dos urubus voando dentro da imensa nuvem de gás carbônico emitida pelos milhões de veículos e que cobre a “Paulicéia Desvairada”. É 9 horas da manhã, e tô saindo de Sampa pra ver Stevie Wonder no Rock in Rio, tento entrar na marginal do Rio Tietê, (que em Tupi quer dizer:águas verdadeiras), mas não tem acesso, pois há uma passeata dos funcionários do correio, que se juntaram aos bancários, e aos professores e tudo ficou intransitável quando chegaram os bombeiros e a polícia militar…ambos também em greve…mas na mídia majoritária só se fala do Rock in Rio.Tento um desvio pela rua da Galatéa a fim de tomar um café da manhã no

restaurante “Os Compadres”, que fica localizado no complexo comercial “Center Norte”, junto aos shopping’s “Carrefour”, Lar Center e o Center Norte” (O Shopping da família!!)… mas também tinha uma “Muvuca” armada no local, pelos 16.000 funcionários que trabalham naquele local, e que poderiam perder suas vidas e seus “Trampos”, pois aquela área estava sendo interditada pelos órgãos de segurança pública, devido a uma “grande presença” de gás Metano nas instalações, pondo em risco também a vida de todos os habitantes daquele bairro com mais de 300 mil moradores, e outras 200 mil diárias, que transitam ali, na Vila Guilherme onde ainda no ano de 1980 era um imenso lixão e que foi aterrado para que a megalópole seguisse crescendo, como uma ferida, sobre a face do planeta terra, dando lugar a mais edificações de natureza humana e que se transformaram em bombas potenciais. Estou apenas há 1 dia nessa “porra”, e ainda nem consegui tomar um café, sem falar na poluição sonora dos alarmes, sirenes e buzinas incessantes, que te deixam ainda mais “prostituto de la face”…Estacionei embaixo de uma grande mangueira em frente ao parque Vila Guilherme, quero dar o fora de uma vez, mas não conheço bem as ruas. Mas de repente, eis que uma onça parda, (também conhecida como puma ou sussuarana), pula em cima do capô e sai disparando rua afora (Rua curuçá)…sem pensar liguei a caranga e fui atrás dela. –Um sinal da mãe natureza!! Pensei… vou seguir minha intuição, meu instinto de sobrevivência, pois com toda certeza aquela onça devia estar fugindo de algum dos muitos incêndios florestais, como o da Serra do Rola Moça, Serra dos Cristais, Serra da Canastra entre outros tantos e que segundo os bombeiros, foram provocados criminosamente pelos especuladores fundiários e imobiliários, que assim como as chamas… se espalham por este país de todos. Mas tenho fé na felina, (Fé-lina?) e chego na Rodovia Pres. Dutra, mas de repente também ali tem um “Furdunço”, um monte de veículos bloqueando a pista, pergunto pru’m caminhoneiro quê bicho tava pegando ali no asfalto da Br, e pra meu espanto me diz:- Ratazanas!! Me confirmou que uns bandidos disfarçados de Polícia Federal, com viatura e tudo, fizeram um arrastão na rapaziada que passava por ali. Ligo o rádio pra relaxar com um pouquinho de música, mas só pega notícias, que me dizem que foi a própria polícia que executou a Juíza Patrícia Aciolli, num depoimento confirmado de um X-9 da própria corporação de São Gonçalo (Rj). Mudo de estação e a Dr. Eliana Calmon, chefona do CNJ (Corregedoria Nacional de Justiça), em pronunciamento oficial, diz que no Brasil, este país de todos, tem “bandidos de Toga”…Mas pensando bem, é um país de todos mesmo, inclusive daqueles que desviam 52 bilhões de reais ano, e não é por estar em S.Paulo, que naquele momento me lembrei de Paulo Maluff…- Marginal do Tietê? Pra minha alegria avisto outra vez a onça, indo por uma estrada de chão batido paralela a Br, e nisso liberam uma saída da Rodovia infernal, pra quem quiser ir em frente por uma rota alternativa… E mais uma vez na vida, apertei o botão do “Foda-se” e segui a mãe natureza, subindo a Serra do Mar, com a onça de meu “sinuelo”, na contra mão da maioria que ia na direção da “Cidade Maravilhosa”… Depois de muito rodar por aquele labirinto de estradas de chão batido, me perco da felina, passo por um pontilhão com uma placa que indica:- Rio Tietê!!…Percebo que estou á centenas de Kms do ponto de partida, e que aquele não é o mesmo rio que corta aquela selva de pedra, “terra da garoa”, dos mutantes, por onde “Caetano e os “novos Baianos” também passaram…Não resisto, e mergulho naquelas águas cristalinas abençoadas e verdadeiras… Está anoitecendo, vejo uma fogueira e me aproximo…é uma aldeia chamada “Reino de Jurema”, ali moravam, índios, quilombolas, hippies e mestiços como eu… Me recebe uma morena de vestido vermelho e um lenço de xita amarrado nos cabelos negros, seu nome: -Maria Baiana!!…Quando começaram a bater os tambores, e a cantar e dançar cirandas na volta do fogo, me dei conta naquele momento que não ia mais ver o Rock in Rio…Mas tenho certeza de que o Steve Wonder também não…

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